Quando um filme como O Diabo Veste Prada 2 se aproxima da estreia, não é só o cinema que se movimenta. O mercado inteiro presta atenção.

Grandes marcas entram em cena, tendências começam a ganhar forma e o público acompanha cada detalhe, dos looks aos nomes envolvidos. É o tipo de produção que não apenas reflete o mercado da moda, mas também influencia comportamento, consumo e posicionamento.

Existe um fascínio natural nesse universo. Mas por trás desse brilho todo, existe algo ainda mais poderoso sustentando tudo isso, as marcas!

A maioria das pessoas assiste a esse tipo de produção sem perceber um detalhe importante: praticamente tudo o que aparece ali nomes, revistas, produtos, colaborações pode estar protegido, licenciado ou, em alguns casos, sendo disputado. E foi exatamente isso que aconteceu antes mesmo do filme chegar aos cinemas.

Uma publicação real, chamada Runway Magazine®, teria notificado a produção alegando uso indevido do nome e de elementos visuais em campanhas promocionais. Segundo a revista, a forma como o nome foi utilizado poderia gerar confusão com sua própria marca registrada. Em outras palavras: mesmo em uma obra de ficção, o uso de um nome pode ultrapassar o limite criativo e entrar em território jurídico.

Esse tipo de situação pode parecer distante da realidade de quem está construindo um negócio. Mas, na prática, o princípio é exatamente o mesmo. Porque marca não é só estética. Marca é território.

No universo do filme, vemos uma revista fictícia, a Runway com identidade forte, visual marcante e posicionamento claro. Esse conjunto de elementos, conhecido como trade dress, é o que faz com que uma marca seja reconhecida mesmo sem a necessidade de ler o nome. E isso também precisa ser protegido.

No mundo real, empresas investem anos construindo esse tipo de percepção. E, quando ela começa a se consolidar, qualquer semelhança com outras marcas pode gerar disputas mesmo que não exista intenção direta de cópia.

Outro ponto que passa despercebido para o público é o volume de produtos que surgem a partir de uma produção como essa.

Colaborações com marcas de moda, beleza e acessórios fazem parte da estratégia. Havaianas, Starbucks, Colorama, todos esses exemplos mostram como um filme pode se transformar em uma plataforma de negócios. Mas nada disso acontece sem proteção.

Para que essas collabs existam, é necessário que o nome do filme, seus elementos visuais e até variações da marca estejam devidamente registrados em diferentes categorias desde vestuário até cosméticos. Sem isso, não existe exclusividade. E sem exclusividade, não existe controle. Agora olha como isso se conecta com algo ainda maior.

Durante a divulgação do filme, marcas brasileiras ganharam destaque ao serem usadas por celebridades em eventos internacionais. Óculos, sapatos, acessórios todos ganhando visibilidade global quase instantânea.

Isso pode parecer apenas uma conquista de branding. Mas, na prática, levanta uma questão estratégica: sua marca está preparada para crescer além do seu mercado atual? Porque, quando essa expansão acontece, seja planejada ou não, a proteção precisa acompanhar. E, nesse ponto, entra algo que muitos ainda ignoram: o registro internacional.

Outro detalhe interessante da narrativa do filme é a transição do impresso para o digital. A revista Runway, que antes existia apenas no papel, passa a ocupar também o ambiente online. E isso não é só uma mudança de formato. É uma mudança de território.

Hoje, proteger uma marca também significa garantir sua presença no digital: domínio, redes sociais, uso do nome em diferentes plataformas. Porque, no ambiente online, a disputa por identidade é ainda mais rápida.

No final, o que esse caso mostra é algo simples mas que ainda passa despercebido por muitos: grandes marcas não deixam espaço para o acaso. Elas protegem nome, identidade, expansão, uso e posicionamento. Tudo. E talvez seja esse o maior aprendizado que um filme como esse pode trazer. Não é sobre moda. Mas sobre estratégia. Porque, enquanto muitos ainda estão focados apenas em criar algo bonito ou chamativo…outros já entenderam que o que sustenta o crescimento de uma marca é aquilo que ninguém vê: a proteção.

Entender como funciona o registro de marca, no Brasil e fora dele é o que permite transformar um nome em um ativo real. E mais do que evitar problemas, isso garante algo essencial, o controle.