Durante muito tempo, o crescimento de uma empresa esteve diretamente ligado à qualidade do produto que ela entregava.

Hoje, isso já não é suficiente.

As marcas mais fortes do mercado entenderam que competir apenas pelo produto é limitador. E, por isso, passaram a investir em algo muito maior: construção de experiência, memória e conexão emocional.

É exatamente isso que explica por que campanhas promocionais com itens colecionáveis continuam movimentando consumidores décadas depois de terem sido lançadas.

No Brasil, poucos exemplos são tão emblemáticos quanto as pelúcias da Parmalat nos anos 90.

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A campanha ultrapassou o campo da publicidade tradicional e entrou para a cultura popular. As crianças queriam os bichinhos. Os pais compravam para completar coleções. E, sem perceber, o mercado assistia a uma marca transformar um simples brinde em um ativo emocional poderoso.

Décadas depois, a lógica continua funcionando.

O McLanche Feliz talvez seja um dos exemplos mais claros disso. Em muitos casos, o brinquedo gera tanta expectativa quanto o próprio produto. Existem campanhas aguardadas, coleções disputadas e consumidores interessados na experiência completa não apenas na refeição.

Os bonecos virais da série

Como por exemplo, a campanha de brindes da série Friends do McDonald's, lançada no início de 2026 no exterior, que foca em um público adulto e tem sido uma estratégia de marketing de alto engajamento, com grande impacto nas vendas europeias.

E esse movimento não acontece por acaso.

Quando uma empresa consegue transformar sua marca em algo desejado para além do produto principal, ela amplia radicalmente suas possibilidades de crescimento.

Um mascote deixa de ser apenas um personagem e pode virar produto.

Uma embalagem deixa de ser apenas funcional e pode virar item colecionável.

Uma campanha deixa de ser apenas divulgação.

Pode se transformar em relacionamento, fidelização e lembrança de uma marca.

É nesse momento que branding deixa de ser apenas comunicação e passa a atuar diretamente como estratégia de negócio.

Porque uma marca forte não monetiza apenas aquilo que vende.

Ela monetiza aquilo que representa!

Esse tipo de expansão pode assumir diferentes formatos.

Collabs com outras empresas, licenciamento de produtos, edições limitadas, experiências físicas, produtos derivados e até campanhas promocionais.

Em muitos casos, essas ações nem têm como objetivo principal gerar faturamento direto.

O retorno está no fortalecimento da percepção da marca e na construção de vínculo. Na ocupação de espaço emocional dentro da rotina do consumidor.

E talvez esse seja um dos movimentos mais importantes do mercado atual: as empresas deixaram de disputar apenas atenção.

E agora disputam memória.

Isso explica por que tantas marcas vêm investindo em ações que ativam nostalgia, colecionismo e identificação afetiva. O produto continua importante mas ele já não sustenta sozinho o valor da marca.

O que sustenta é o universo construído ao redor dela.

Mas existe um detalhe fundamental nesse processo que muita gente ignora no início: quanto mais uma marca cresce, mais ela precisa de estrutura para sustentar essa expansão.

Porque, quando uma empresa começa a criar personagens, produtos derivados, collabs e campanhas próprias, ela passa a lidar com ativos que precisam estar protegidos.

E é exatamente aqui que a propriedade intelectual deixa de ser apenas uma formalidade jurídica e passa a ocupar um papel estratégico no crescimento do negócio.

No Brasil, o registro de marca é feito junto ao INPI e garante exclusividade de uso dentro de determinados segmentos. Mas, dependendo da estratégia da empresa, a proteção vai muito além do nome.

Mascotes podem ser registrados. Elementos visuais podem ser protegidos. Produtos derivados podem fazer parte da estrutura de expansão da marca.

Até campanhas e identidades específicas podem ganhar valor comercial ao longo do tempo.

Quando isso não é pensado desde o início, o crescimento pode trazer problemas inesperados.

A marca cresce, ganha visibilidade, começa a gerar novos produtos e oportunidades… mas não possui estrutura suficiente para garantir controle sobre aquilo que criou.

E é justamente nesse ponto que muitas empresas percebem tarde demais que proteger uma marca não significa apenas impedir cópias.

Significa permitir expansão com segurança.

Hoje, existem negócios inteiros construídos a partir desse movimento.

Empresas especializadas em transformar personagens em produtos.

Marcas que vivem de licenciamento. Negócios que criam faturamento através de experiências e collabs. O próprio mercado percebeu que conexão emocional também gera valor econômico.

No fim, campanhas promocionais podem até parecer passageiras.

Mas algumas delas deixam algo muito maior: posicionamento.

E as marcas que conseguem construir isso entendem uma coisa fundamental: vender é importante. Mas criar algo que permanece na memória das pessoas é o que sustenta crescimento no longo prazo.